Palavra ordinária

palavras

Palavras são cruéis
Deitam-se por todo lado.
Itálinam-se nos lençóis de sulfite
Negritam-se nas telas led
Sublinham-se como deusas de juventude eterna
Alinham-se à qualquer desejo, puro ou estético
Putas que deliciam os olhos de todos que se prestam a ver
Eram, antes, deusas dos reis, dos abastados, dos sábios.
Hoje são jogadas ao vento, permeiam nas ondas do wi-fi serpenteando seu veneno.
Antes eram suntuosas, caligrafadas e curvilíneas.
Hoje são concretas, facebookianas, livreteiras.
Disponíveis a todo tipo de prazer
Alguns, malignos.

Diga-me quais palavras usa e eu te direi quem lês.

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Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
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