O trem

Havia algo de diferente no modo como sorria. Uma distensão muscular maior do lado esquerdo do que o do direito. Parecia não importar, pois seu sorriso continuava sendo o mais bonito do mundo. Ela sabia que morreria por aquele sorriso, mas fazia questão de abaixar os olhos e deixar o sangue decorar suas bochechas rosadas.

Se não era amor, era uma sensação deliciosa. Algo que fazia o mundo desaparecer em segundos eternos de uma brisa fresca de verão. Seus olhos se encontraram mais uma vez. Não havia nada no mundo que pudesse fazê-la sorrir mais. Ele segurou o riso, olhou-a com doçura, mesmo à distância. Ela quis pular, abraça-lo, segurar suas mãos e dizer que o mundo tinha sim solução. Mas, já era tarde demais.

As portas se abriram e ele saiu do vagão do trem sorridente e confiante sem jamais ter olhado pra trás. Ela permaneceu no corredor olhando a porta se fechar sem nunca ter sido tão feliz quanto naquele instante que passou.

Anúncios

Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
Esse post foi publicado em crônica e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s