Senhor, dai-me paciência.

A paciência é uma única dose de rum numa noite de frio. Doce, rasga o peito e aquece o corpo. Difícil é saber a hora de recorrer a essa dose mínima.

Ninguém vê uma pessoa lutando para ser calmo. Lutando para não ser um animal. O único vislumbre está nos olhos. Quando os sentidos se apagam, o vermelho-sangue tinge a visão, o revés no estômago, é nesse momento a hora de tomar sua dose? Ou seria melhor deixar isso tudo e regar-se de pequenas doses o dia todo e a toda hora? Desequilibrado ou alcólatra?

A dose está por aí, inesgotável e serena. Sempre à espera de um porre qualquer. Um porre de paciência e de mil motivos para não ser. A paciência não é uma virtude budista, é uma bebedeira que acalma e não nos deixa cair no furacão. É sujeira que se esconde embaixo do tapete.

Qual a dose certa? Qual o momento de bebericar o doce néctar da civilidade? Quando se deve negar a si mesmo o famoso “vai tomar no cu e acorda!”?

Senhor, dai-me paciência que meu rum acabou.

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Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
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