Minha tristeza

Minha tristeza tem medo de sair na rua. Medo de sofrer bullin num mundo onde a alegria impera. Sorrisos vazios podem esconder minha tristeza bruta, mas não podem matá-la.

Minha tristeza sofre por ser considerada doença. Uma enfermidade vergonhosa em que homens sucumbem à própria má sorte de existir.

– Existem remédios, dizem os especialistas.

No entanto, minha tristeza não se dá bem com comprimidos. Alopatia, homeopatia e terapias naturais tendem a esmagar a plenitude da minha doce melancolia.

Ela é linda, tenho que admitir. Ela me envolve com ternura, me acompanha à noite e me acalenta nas manhãs cinzas e vazias. As pessoas não entendem nosso caso de amor.

Por isso, guardo-a numa caixinha vermelha, de camurça macia e sedas febris. O meu carinho a fortalece e a aquece em dias que não há ninguém para admirá-la além de mim. Intocável, ela anda a murmurar doces palavras ao meu ouvido. Palavras que ninguém mais tem a coragem de pronunciar. O que eu sou, o que me traduz e o que me transforma.

Minha tristeza tem medo de morrer.

“Time heals, but I’m forever broken, by and by the way”

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Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
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