Renúncia ao silêncio

Depois de um longo e tenebroso inverno (ou inferno?) eis-me aqui novamente. Minhas poesias estão mofando em cadernos escondidos no armário. Meus versos estavam envergonhados pela sua dor e agora tomaram coragem para tomar um pouco de sol. De sorrisos me perdi em silêncio e minhas palavras precisam de ar. Essa é a minha verdade.

Segue o estopim de tudo isso:
(ah como eu te amo Manuel Bandeira!)

Renúncia

Chora de manso e no íntimo… procura
Tentar curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.

Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será ela só tua ventura…

A vida é vã como a sombra que passa
Sofre sereno e de alma sombranceira
Sem um grito sequer tua desgraça.

Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira…

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Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
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