O varal

Eu comprei um varal. Não qualquer varal de um real que se prende em preguinhos na parede do quintal. Comprei um varal de chão. Desses que se parecem com uma mesa dobrável, paguei caro, porém me serve com um extra de um denguinho sem pretensões. Finalmente eu tenho um varal!

Na última semana eu passei os dias contando as roupas que ainda estavam limpas, na dúvida, rezava para fazer sol no domingo, pois era o dia que eu iria lavar as roupas. A essa hora você deve se perguntar que tipo de pessoa não tem um varal. Pois bem, eu não tinha. Eu mal tinha um cantinho só meu, quando arranjei um, não tinha varanda ou área de serviço. E como fazer para estender as roupas? No banheiro não dava, mal tinha espaço pro vapor d’agua do banho sair. No quarto e na sala não tinha ventilação o suficiente e o piso era de madeira, corria o risco com a umidade de fazer o taco se descolar do cimento. Sobrava a cozinha. E como lá não tinha como furar as paredes, eu resolvi comprar um varal de chão.

Acho que as pessoas que possuem um varal são detentoras de vida e amor genuíno. Pois elas tomam com carinho e cuidado todo o processo de lavar, secar e passar sua própria roupa, semana após semana, faça chuva ou faça sol. Talvez um orgulho bobo, mas é impressionante como esse processo traz vida ao cotidiano. Pessoas que possuem um varal sabem como é especial cada fiapinho de roupa, cada manchinha extra e principalmente qual o valor de cada gota de suor da labuta diária. Pessoas que possuem um varal conhecem a vida como ela é. Sem terceirização de fluídos corporais. Sem prostituição da responsabilidade de se manter limpo, cheirosinho e decente. É simples assim, pessoas que possuem um varal enxergam a vida de forma diferente.

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Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
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