A minha solidão

A minha solidão não é bruta
não derruba, não machuca, não destrói.

A minha solidão é fluída,
vem em ondas sorrateiras,
como um sorriso no cantinho da boca
que insiste em não sorrir.

A minha solidão é pacata,
como aquela dor com data e hora marcada,
a solidão do ônibus no último assento perto da janela.

A minha solidão é leve,
como o despertar de um sonho ruim,
o limiar do céu e da terra,
o horizonte do olhar e da lágrima.

A minha solidão não sangra,
não morde, não fere, não vive.
Ela é o deleite das estrelas
e o último prazer da reconciliação.

A minha solidão é vontade de viver fora de mim.

Sobre Andreza

Jornalista, tradutora, escritora, sonhadora, dona de casa sem uma casa, irmã caçula e péssima em encontrar uma harmonia com teclados de configurações diferentes. Gosta de ler em demasia, mas a miopia não ajuda. Gosta de escrever com moderação, as palavras precisam ser digeridas.
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