A minha solidão não é bruta
não derruba, não machuca, não destrói.
A minha solidão é fluída,
vem em ondas sorrateiras,
como um sorriso no cantinho da boca
que insiste em não sorrir.
A minha solidão é pacata,
como aquela dor com data e hora marcada,
a solidão do ônibus no último assento perto da janela.
A minha solidão é leve,
como o despertar de um sonho ruim,
o limiar do céu e da terra,
o horizonte do olhar e da lágrima.
A minha solidão não sangra,
não morde, não fere, não vive.
Ela é o deleite das estrelas
e o último prazer da reconciliação.
A minha solidão é vontade de viver fora de mim.